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Apresentação

 

O Projeto Vertentes está vinculado ao Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal da Bahia – UFBA e é coordenado pelo Prof. Dr. Dante Lucchesi, Professor Titular de Língua Portuguesa da UFBA e Pesquisador 1-C do CNPq, e tem sido implementado com recursos obtidos junto a editais públicos de apoio à pesquisa da FAPESB e do CNPq. A equipe do Projeto é composta por pesquisadores da UFBA, por mestrandos e doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura da UFBA – PPGLinC-UFBA e por estudantes de graduação com bolsa de Iniciação Científica.

O Projeto tem como objetivo central traçar um panorama sociolinguístico do português popular do Estado da Bahia, considerando os seguintes parâmetros: a relevância do contato entre línguas na sua formação histórica, por um lado, e os processos atuais de  difusão linguística a partir dos grandes centros urbanos, por outro. Esses dois parâmetros definem os dois grandes vetores que atuam sobre a fala popular atualmente, condicionando os processos de variação e mudança que caracterizam e individualizam as diversas variedades do português popular no país.

Com o enquadramento teórico e metodológico da Sociolinguística Variacionista, com aportes da Teoria Gerativa da Gramática, o Projeto Vertentes desenvolve análises de processos de variação e mudança que afetam aspectos críticos da morfossintaxe da língua portuguesa no Brasil, como a concordância nominal e verbal, os pronomes pessoais e as orações relativas, a partir de uma sólida básica empírica. Para isso, o Projeto tem constituído um dos mais expressivos acervos da fala popular do país, reunindo cerca de 200 horas de conversação espontânea de falantes com pouca ou nenhuma escolaridade de várias idades e diversas localidades.

A pesquisa tem-se desenvolvido em três etapas, cada uma focalizando uma variedade do português popular. A primeira focalizou as comunidades rurais afro-brasileiras isoladas, algumas remanescentes de antigos quilombos, para identificar os efeitos históricos do contato do português com as línguas africanas na formação dessas comunidades. As análises se basearam em uma amostra de fala, com um núcleo básico de 48 entrevistas com moradores de quatro comunidades afro-brasileiras de diferentes regiões do Estado. A segunda etapa tem focalizado o português popular do interior, para aferir os processos de difusão linguística e para mensurar os efeitos do contato entre línguas a partir de um cotejo com o português afro-brasileiro. Nessa etapa foi constituída uma amostra de fala vernácula com 48 entrevistas com falantes de pouca ou nenhuma escolaridade de dois municípios do interior do Estado: Poções e Santo Antônio de Jesus. Foram 24 entrevistas em cada município, doze na zona rural e doze na sede do município. A terceira e atual etapa da pesquisa de campo do Projeto Vertentes focaliza o português popular da cidade de Salvador, para escrutinar os processos de variação e mudança em curso nesse pólo regional de irradiação linguística. Para tanto, foram feitas, nos anos de 2008 e 2009, 96 entrevistas de tipo sociolinguístico em bairros populares da capital baiana e sua região metropolitana. Além disso, pesquisadores da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e da Universidade do Sudoeste Baiano (UESB), formados no Projeto Vertentes, também constituíram acervos de fala vernácula do português popular nas cidades de Feira de Santana e Vitória da Conquista, duas importantes cidades de médio porte do interior do Estado.

Essa sólida base empírica permitirá ao Projeto Vertentes constituir um amplo panorama sociolinguístico da fala popular do Estado, contribuindo com isso para o avanço do conhecimento em uma dimensão crucial da cultura e da história da Bahia: o caráter multicultural e pluriétnico de sua língua popular.

 
O Português Afro-Brasileiro

 

Os resultados da primeira etapa do Projeto Vertentes foram reunidos em um expressivo volume intitulado O Português Afro-Brasileiro, publicado no ano de 2009 pela EDUFBA, com recursos obtidos em Edital Público de Apoio à Publicação Científica da FAPESB – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia. O livro foi organizado por Dante Lucchesi, Alan Baxter e Ilza Ribeiro e é o resultado de mais de quinze anos de pesquisa sobre a fala de quatro comunidades rurais afro-brasileiras isoladas do interior do Estado da Bahia, com base na ideia de que essas comunidades são verdadeiros sítios arqueológicos que revelam os processos de mudança por que passou a língua portuguesa ao ser adquirida por cerca de quatro milhões de africanos que vieram para o Brasil com o tráfico negreiro e desempenharam um papel decisivo na formação da sociedade brasileira.

A obra está estruturada da seguinte maneira. Uma primeira parte contém cinco capítulos em que são apresentados os fundamentos teóricos e metodológicos da pesquisa, com destaque para um capítulo com um panorama da história do contato entre línguas no Brasil, um capítulo sobre a teoria acerca dos processos desencadeados em situações de contato linguístico e um sobre as teorias da gramática e da mudança linguística. Em sua segunda parte são apresentadas análises de dezesseis aspectos da morfossintaxe da fala das comunidades estudadas, tais como: a realização do sujeito pronominal, a concordância verbal e nominal e as orações relativas. Os resultados dessas análises são sintetizados e comentados em um extenso texto de conclusão que encerra o volume.

 

 

 

Leia mais sobre o Livro O Português Afro-Brasileiro...

 

Andamento da Pesquisa

 

Atualmente, a pesquisa de campo do Projeto Vertentes focaliza o Português Popular da Cidade de Salvador, capital do Estado da Bahia. A ideia é traçar um panorama sociolinguístico da fala popular da capital baiana, fazendo um diagnóstico dos seus processos de variação e das suas atuais tendências de mudança. Esses estudos poderão lançar luzes sobre fatos crucias, tais como: a penetração de dialetos rurais na periferia das grandes cidades, por um lado, e a difusão do padrão linguístico culto entre os segmentos populares, por outro.

Para a realização dessas análises, foi constituída uma amostra de fala vernácula com noventa e seis entrevistas de tipo sociolinguístico com moradores de pouca ou nenhuma escolaridade de quatro bairros populares de Salvador (Liberdade, Plataforma, Itapoã e Cajazeiras) e de um município de sua região metropolitana (Lauro de Freitas). Foram feitas dezoito entrevistas em cada bairro, de acordo com as variáveis estratificadas na amostra: sexo e faixa etária. Além disso, foram feitas entrevistas com dois líderes comunitários nos bairros mais tradicionais: Liberdade, Plataforma e Itapoã.  Um dos maiores problemas enfrentados durante a realização das entrevistas foi a violência urbana que assola os bairros populares da cidade.

Concluído o trabalho de campo, as entrevistas foram armazenadas e editadas em meio digital. O trabalho de transcrição e revisão das entrevistas foi totalmente concluído e análises sociolinguísticas de vários aspectos da morfossintaxe da fala popular de Salvador estão sendo feitas com base nesse corpus. Paralelamente, continuam sendo conduzidas as análises de aspectos relevantes da morfossintaxe, tanto do português popular do interior do Estado, quanto das comunidades rurais afro-brasileiras isoladas. Está sendo organizado, inclusive, um novo conjunto de análises linguísticas sobre as comunidades rurais afro-brasileiras, que deverá ser publicado em breve, na forma de livro, com o título “O Português Afro-Brasileiro Revistado”. O Projeto seguinte será a organização de um livro com um conjunto de análises que venham a constituir um panorama sociolinguístico do português popular do interior do Estado da Bahia.

 

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Dante Lucchesi pronuncia-se sobre a polêmica do livro didático adotado pelo MEC.

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