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Apresentação

 

O Projeto Vertentes do Português no Estado da Bahia está vinculado ao Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e é coordenado pelo Prof. Dr. Dante Lucchesi, Professor Titular de Língua Portuguesa da UFF e Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, nível 1-B. O projeto tem sido implementado com recursos obtidos junto a editais públicos de apoio à pesquisa da FAPESB e do CNPq. Sua equipe é composta pelos pesquisadores da UFBA: Cristina Figueiredo, Gredson dos Santos e Juliana Ludwig. Também participam da pesquisa mestrandos e doutorandos [link para equipe – estudantes] do Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura da UFBA (PPGLinC – UFBA), e estudantes de graduação com bolsa de Iniciação Científica.

Projeto Vertentes tem como objetivo central traçar um panorama sociolinguístico do português brasileiro no Estado da Bahia, com base no algoritmo da polarização sociolinguística do Brasil, desenvolvido por seu coordenador. Segundo esse algoritmo, a elite letrada, por um lado, e as classes mais marginalizadas, por outro, constituem os polos opostos da realidade sociolinguística do país. Essa polarização sociolinguística é o reflexo da absurda concentração de renda e superexploração das relações de trabalho que caracteriza a sociedade brasileira e se atualiza em três planos: a diferença na frequência de uso das formas em variação na língua; a diferença na avaliação social dessas formas em variação; e a diferença nas tendências de mudança que se observam em cada grupo. A linguagem da elite letrada, a chamada norma culta, está se afastando do padrão normativo prescrito pelas gramáticas normativas, a norma padrão, embora se mantenha refratária às formas que caracterizam a linguagem das classes populares, a norma popular. Esta última teve sua origem na nativização da variedade de português falada pelos africanos escravizados e índios subjugados pelos seus descendentes nos quatro primeiros séculos de formação da sociedade brasileira, por isso manifesta um processo de simplificação morfológica que afetou sobretudo os mecanismos gramaticais sem valor informacional, como as regras de concordância nominal e verbal, exemplificado na frase: Meus filho trabalha muito. O preconceito linguístico contra essas formas da linguagem popular tem, portanto, uma motivação originariamente racista e constitui um poderoso instrumento de dominação ideológica que visa a legitimar as relações de exploração do trabalho e marginalização social que rasgam a sociedade brasileira.

Para analisar essa realidade social da língua, o Projeto Vertentes utiliza o instrumental teórico e metodológico da Sociolinguística Variacionista e desenvolve análises de processos de variação e mudança em curso nas variedades do português no Estado da Bahia, a partir de uma sólida básica empírica. Para isso, o projeto constituiu um dos mais expressivos acervos da fala popular do país, reunindo cerca de 200 horas de conversação espontânea de falantes com pouca ou nenhuma escolaridade de várias idades, e está implementando atualmente a coleta de uma amostra linguística junto a falantes com nível superior de escolaridade, para possibilitar análises contrastivas dessa amostra da norma culta com as amostras da norma popular já constituídas.

Ao longo de mais de vinte anos, as pesquisas do Vertentes têm sido desenvolvidas em diferentes etapas: na primeira etapa , foi focalizada a fala das comunidades rurais afro-brasileiras isoladas, muitas delas oriundas de antigos quilombos, com o objetivo primacial de identificar os efeitos históricos do contato do português com as línguas africanas. Nesta etapa, o Projeto reuniu um total de 48 entrevistas coletadas em quatro comunidades quilombolas, situadas em diferentes regiões do Estado da Bahia. Um conjunto significativo de análises produzidas nessa primeira etapa foi publicado no livro O Português Afro-Brasileiro. Na segunda etapa, o Projeto fez análises da variação em aspectos da morfossintaxe do português popular do interior do Estado, para aferir os processos de difusão linguística em curso no interior do país. Nessa etapa, foram constituídas amostras de fala vernácula nos municípios de Santo Antônio de Jesus e Poções, tanto na sede urbana de cada um dos municípios, quanto em sua zona rural. Na terceira etapa, o projeto focalizou o português popular da cidade de Salvador e região metropolitana, para escrutinar os processos de variação e mudança em curso na norma popular desse centro de irradiação linguística. Foram constituídas cinco amostras de fala, nessa terceira fase da pesquisa, quatro em bairros populares da cidade de Salvador (Liberdade, Plataforma, Itapuã e Cajazeiras) e uma em um município de sua região metropolitana (Lauro de Freitas).

Nessas três primeiras fases, o Projeto Vertentes traçou um panorama sociolinguístico do português popular do Estado da Bahia, descrevendo o processo de nivelamento linguístico, no qual as formas da norma culta se expandem de cima para baixo na estrutura social e se difundem a partir dos grandes centros urbanos para todas as regiões do país. Nesse nivelamento, as variantes linguísticas de maior prestígio social vão-se sobrepondo às variantes da linguagem popular que resultaram de mudanças induzidas pelo contato entre línguas no passado. Tais mudanças afetariam primeira e mais intensamente a linguagem popular da capital e se propagariam para o interior do Estado, atingindo incialmente a população das cidades do interior, antes da população da zona rural, até chegar às comunidades rurais afro-brasileiras isoladas, aquelas que ainda conservariam os efeitos mais notáveis do contato do português com as línguas africanas. As análises também buscaram identificar quais eram esses efeitos, tanto que as comunidades quilombolas foram as primeiras a serem estudadas. Para identificar esses efeitos e ter uma compreensão mais ampla de como o contato linguístico maciço afeta a estrutura gramatical das línguas, o projeto também tem desenvolvido análises de variedades do português na África e de crioulos de base lexical portuguesa falados em Casamansa, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Malaca.

Em março de 2020, o Projeto Vertentes deu início à quarta etapa de sua pesquisa empírica, tendo como primeiro grande objetivo constituir uma amostra linguística falantes da cidade de Salvador com nível de escolaridade superior completo, contemplando a variação estilística e aplicando testes de avaliação subjetiva da variação linguística. A constituição dessa amostra possibilitará a realização de análises comparativas entre a norma culta e a norma popular, cujos resultados sustentarão ou refutarão, de forma consistente, o algoritmo da polarização sociolinguística do Brasil. Além de ampliar a compreensão da realidade social da língua, fornecendo subsídios para políticas públicas de ensino e de respeito à diversidade linguística, o projeto também contribuirá para uma necessária atualização da norma padrão brasileira, fornecendo dados empíricos robustos sobre as formas efetivamente em uso na elite letrada e que formas linguísticas esse segmento social adota como modelo e quais rejeita. Com isso, o Projeto Vertentes atingiria as suas metas mais socialmente relevantes e justificaria a sua realização.

 

 

 
Andamento da Pesquisa

 

Padrões de avaliação do português culto de Salvador

A principal meta atual do Projeto Vertentes é constituir um corpus com 48 entrevistas viável para a análise das reações subjetivas sobre diferentes fenômenos do PB a partir da ótica de 24 falantes de escolaridade superior. Isso permitirá revelar um conjunto de percepções sobre o uso de certos fenômenos linguísticos variáveis a partir da constituição de um corpus do português considerado culto de Salvador.

São objetivos específicos dessa ação de pesquisa: i) realizar testes de avaliação subjetiva (produção e percepção) com falantes de alta escolarização naturais de Salvador no nível da morfossintaxe; ii) realizar testes de avaliação subjetiva (produção e percepção) com falantes de alta escolarização naturais de Salvador no nível fonético-fonológico; iii) analisar as respostas dadas por esses informantes aos testes; c) identificar o padrão de avaliação que marca a norma culta de Salvador; d) comparar com os resultados de pesquisas que descrevem padrões de variação de fenômenos específicos.

As línguas crioulas

O estudo das línguas crioulas tem muito a oferecer para a compreensão da história sociolinguística do Brasil. A integração de cerca de quatro milhões de africanos na formação da sociedade brasileira, em função do tráfico negreiro e do sistema escravista, que se estende da colônia até o período imperial, teve profundas implicações no plano da cultura e da língua na formação da sociedade brasileira. Durante muito tempo, o preconceito e o desconhecimento fizeram com que os efeitos linguísticos desse processo histórico fossem minimizados ou mesmo refutados. As sistematizações teóricas realizadas a partir de pesquisas empíricas em áreas de contato linguístico radical, como o Caribe, a Costa Ocidental da África e o sudeste asiático, podem trazer suportes muito valiosos para a compreensão da formação língua do Brasil, bem como de seu panorama linguístico atual.

 

Em razão dessas questões é que o Projeto, em sua fase atual, visa a avançar no exame de línguas crioulas de base portuguesa. Nesta etapa, pesquisas de mestrado e doutorado, orientadas pelos professores que participam do projeto, estão descrevendo os crioulos falados em Casamansa, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Malaca. Em breve novas notícias serão postas nesta página.

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Dante Lucchesi pronuncia-se sobre a polêmica do livro didático adotado pelo MEC.

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