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Parâmetros da fala popular no interior do Estado da Bahia

 

A constituição de um panorama sociolinguístico do português popular do estado da Bahia integra as variedades identificadas, em um continuum que vai desde a variedade mais afastada do padrão e mais afetada pelo contato entre línguas até a variedade popular mais central e mais sujeita ao nivelamento linguístico institucional, passando por aquelas que, intermediárias, refletem a ação dessas forças antagônicas. Dessa forma, há uma interconexão na abordagem de um aspecto da morfossintaxe nas diversas variedades linguísticas estudadas, pois a análise de um aspecto da morfossintaxe do português popular do interior do estado pressupõe uma retomada da análise feita sobre esse mesmo aspecto no português afro-brasileiro, em um cotejo crucial para se verificar empiricamente a atuação do contato entre línguas na formação das variedades do português popular no interior do país. Além disso, o cotejo entre as variedades da zona rural e da sede do município, decisivo na análise do português popular do interior do estado, pois visa a aferir o processo de difusão linguística dos grandes centros urbanas para as zonas mais afastadas do país, só estará completo com os dados do quadro observado nesses centros de difusão, como a metrópole em que se situa a capital política do Estado, a cidade de Salvador. Por fim, a análise do português popular da cidade de Salvador não se encerra em si mesma, devendo abarcar um conjunto que reúne as outras duas variedades, para traçar o panorama sociolinguístico da norma popular brasileira, no Estado da Bahia.

O estudo específico do português popular do interior do Estado tem sido feito com base em amostras de fala vernácula com moradores de pouca ou nenhuma escolaridade de dois municípios que representam realidades diferentes no diversificado panorama sócio-econômico do Estado da Bahia: o município de Santo Antônio de Jesus, na região do Recôncavo Baiano, mais próximo à capital, Salvador; e o município de Poções, na região do Semi-Árido, mais distante da capital do Estado. Nas análises sociolinguísticas que têm sido realizadas, a distinção entre o centro urbano e a zona rural é crucial e visa a aferir como a urbanização promove o nivelamento linguístico a partir dos modelos difundidos a partir das grandes cidades, sobretudo a partir da ação niveladora dos meios de comunicação de massa. A hipótese nesse caso é a de que os padrões de comportamento linguístico da sede do município estejam mais próximos do padrão urbano culto do que os padrões da zona rural. Estabelece-se, assim, o direcionamento do processo de nivelamento linguístico que opera no seguinte continuum: português popular dos centros urbanos do interior do país > português popular rural > português afro-brasileiro.

Em sentido contrário estão os reflexos do processo de transmissão linguística irregular desencadeado pelas situações de contato entre línguas que marca a formação históricas das variedades populares do português no interior do Brasil. Tais reflexos se vão esgarçando, na medida em que avança a influência linguística dos grandes centros urbanos. E, para aferir esse processo de difusão linguística que se tem operado para o interior do país, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, estão sendo conduzidas análises que contrastam os padrões de comportamento linguístico observados nos dois municípios. Por estar mais próximo da capital, numa região historicamente ligada a ela, o Recôncavo Baiano, o município de Santo Antônio de Jesus deve exibir um padrão linguístico mais próximo do padrão urbano culto do que o município de Poções, situado mais para o interior do Estado, na região do semi-árido. A situação sócio-econômica também contribui para essa diferenciação linguística. Santo Antônio de Jesus exibe uma economia dinâmica assentada em vigoroso comércio. Poções não exibe o mesmo dinamismo, estando a sua economia ligada à atividade agro-pecuária da região.

Mapa: Santo Antônio de Jesus e Poções

Mapa: Localização dos municípios de Santo Antônio de Jesus e Poções no interior do Estado da Bahia.

Portanto, o panorama sociolinguístico que se pretende traçar sobre o português popular do interior do Estado da Bahia é balizado por esses parâmetros, em que se interpenetram o contato entre línguas, que liga o presente ao passado, e a difusão linguística, que projeta o presente para o futuro.

 
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